Módulo Introdutório - Integração de Mídias na Educação
ETAPA 4

Alguns problemas na integração das tecnologias na educação

A escola é uma instituição mais tradicional que inovadora.

A cultura escolar tem resistido bravamente às mudanças. Os modelos de ensino focados no professor continuam predominando, apesar dos avanços teóricos em busca de mudanças do foco do ensino para o de aprendizagem. Tudo isto nos mostra que não será fácil mudar a cultura escolar tradicional, que as inovações serão mais lentas, que muitas instituições reproduzirão no virtual o modelo centralizador na transmissão do conteúdo e no professor do ensino presencial.

Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana, fica muito difícil desenvolver a autonomia e a organização pessoal, que são indispensáveis para os processos de aprendizagem a distância.

Sem organização, o aluno poderá deixar passar o tempo adequado para realizar as atividades, participar das discussões, enfim em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalhará sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que criará tensão ou indiferença. Alunos assim, aos poucos, poderão deixar de participar, de produzir e muitos terão dificuldade de retomar a motivação, o entusiasmo pelo curso desenvolvido a distância. No presencial, uma conversa com os colegas mais próximos ou com o professor poderá ajudar a que queiram voltar a participar do curso. A distância, isso será possível, mas não fácil.

Os alunos estão prontos para a multimídia: os professores, em geral, não. Os professores sentem, cada vez mais, o descompasso no domínio das tecnologias e, em geral, tentam segurar o máximo que podem, fazendo pequenas concessões, sem mudar o essencial. Acreditamos que muitos professores têm receio de revelar sua dificuldade diante dos alunos. Por isso, e pelo hábito, mantêm uma estrutura repressiva, controladora, repetidora.

Os professores percebem que precisam mudar, mas não sabem bem como fazê-lo e não estão preparados para experimentar com segurança. Muitas instituições também exigem mudanças dos professores sem dar-lhes condições para que eles as efetuem. Frequentemente algumas organizações introduzem computadores, conectam as escolas com à Internet e esperam que só isso melhore os problemas do ensino. Os administradores se frustram ao ver que tanto esforço e dinheiro empatados não se traduzem em mudanças significativas nas aulas e nas atitudes do corpo docente.

A maior parte dos cursos presenciais e on-line continua focada no conteúdo, na informação, no professor, no aluno individualmente e na interação com o professor-tutor. Convém que os cursos hoje, principalmente os de formação, sejam focados na construção do conhecimento e na interação; no equilíbrio entre o individual e o grupal, entre o conteúdo e a interação (aprendizagem cooperativa) - um conteúdo em parte preparado e em parte construído ao longo do curso.

É difícil manter a motivação no presencial e, mais ainda no virtual, se não envolvermos os alunos em processos participativos, afetivos, que inspirem confiança. Os cursos que se limitam à transmissão de informação, de conteúdo, mesmo que estejam brilhantemente produzidos, correm o risco da desmotivação a longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica, insuficiente para dar conta da relação teoria/prática. Em sala de aula, se estivermos atentos, podemos mais facilmente obter feedback dos problemas que acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas estratégias pedagógicas. No virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível por e-mail, que é frio, não imediato, ou por um telefonema eventual, que embora seja uma forma de comunicação, em um curso a distância encarece o custo final.

Mesmo com tecnologias de ponta, ainda temos grandes dificuldades no gerenciamento emocional, tanto no pessoal como no organizacional, o que dificulta o aprendizado rápido. As mudanças na educação dependem, mais do que das novas tecnologias, de termos educadores, gestores e alunos maduros intelectual, emocional e eticamente; pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar; pessoas com as quais valha a pena entrar em contato, porque dele saímos enriquecidos. São poucos os educadores que integram teoria e prática e que aproximam o pensar do viver.

Os educadores marcantes atraem não só pelas suas ideias, mas pelo contato pessoal. Transmitem bondade e competência, tanto no plano pessoal, familiar, como no social, dentro e fora da aula, no presencial ou no virtual. Há sempre algo surpreendente, diferente no que dizem, nas relações que estabelecem, na sua forma de olhar, na forma de comunicar-se, de agir. E eles, em uma sociedade cada vez mais complexa e virtual, se tornar-se-ão referências necessárias.


A esperança dos educadores no sentido de criarem práticas educativas mais condizentes com o mundo em que vivem os alunos de hoje, continua a persistir e a evidenciar-se nas escolas e principalmente nos cursos de formação continuada a que eles acorrem em busca de soluções para o desinteresse dos estudantes e o mal-estar criado nos espaços escolares. Não basta olhar para os problemas! É importante analisá-los e sair em busca de alternativas para superá-los!

- Será a integração das mídias uma alternativa viável para superar parte desses problemas?
- Em que aspectos a integração das mídias poderá contribuir?
- Quais mídias estão disponíveis, hoje na realidade das escolas públicas?
- O que podemos fazer para despertar a motivação de nossos alunos com os recursos midiáticos disponíveis?


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