9. O que é interatividade e qual sua relação com a convergência das mídias?
A interatividade foi uma palavra empregada durante algum tempo em relação a equipamentos disponíveis em museus, feiras e exposições para indicar as escolhas individuais sobre o que e quando se quer ver, ouvir ou manipular. Mas a convergência das mídias digitais traz um potencial de mudanças drásticas nos modos de produção, expressão do pensamento, partilha de informações e comunicação.
Interatividade é um conceito polissêmico, concebido por diferentes pesquisadores conforme a sua área de formação e atuação.
No Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a interatividade é definida como a “capacidade de um sistema de comunicação ou equipamento de possibilitar interação”.
Um modo interessante de entender as múltiplas concepções atribuídas à interatividade pode ser visto na leitura do artigo “Conversando sobre interatividade”, produzido a partir de um processo dialógico de construção coletiva, dos autores Picanço, Lago, Bonilla, Pretto, Lima e Hetkowski (s/d). Esses autores dialogaram em torno da questão “O que é interatividade”.
Clique aqui e estabeleça o seu diálogo com o texto “conversando sobre interatividade”!!
Também para Lemos (2007), a interatividade é considerada como “um caso específico de interação, a interatividade digital, compreendida como um tipo de relação tecno-social, ou seja, como um diálogo entre homem e máquina, através de interfaces gráficas, em tempo real”.
Para o filósofo Pierre Lévy (1999, p.82), a interatividade é:
“muito mais um problema, a necessidade de um novo trabalho de observação, de concepção e de avaliação dos modos de comunicação do que uma característica simples e unívoca atribuível a um sistema específico”.
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Por outro lado, José Armando Valente (2005), engenheiro e pesquisador em Tecnologias na Educação, em artigo do livro “Integração das Tecnologias na Educação”, organizado por Almeida e Moran (2005), adota a interação como a base da aprendizagem e acentua que aprender é construir conhecimento e na interação com o mundo o aprendiz coloca-se diante de situações que devem ser resolvidas e, para tanto, interage com o computador para buscar informações, interpretá-las, representá-las e construir conhecimento, criando o ciclo da aprendizagem que ele passou a denominar, posteriormente, de espiral da aprendizagem, uma vez que na retroação o aprendiz já se encontra em um novo patamar de conhecimento e não volta ao mesmo ponto anterior.
Nesse mesmo livro, Beatriz Corso Magdalena especifica que “o homem depende necessariamente da interação” (p.51).
Podemos, enfim, definir interatividade como a possibilidade - cada vez maior com o desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e com as convergências das mídias - de transformar os atores envolvidos no processo de comunicação, a um só tempo, em produtores e receptores de informações.
É bom não nos esquecermos, no entanto, de que a interatividade entre emissores e receptores dos meios de comunicação de massa já existia muito antes do surgimento da Internet, ocorrendo com o envio de cartas à seção dos leitores de jornais e revistas, com a participação de ouvintes por carta ou telefone em programas de rádio, com a participação de telespectadores por carta, telefone ou pessoalmente, em programas de televisão, etc. Aliás, os folhetins publicados nos jornais do século XIX constituem o primeiro objeto de interatividade não só no Brasil, mas também na Europa (La Presse e La Siècle), já que os leitores da época podiam interferir no enredo das narrativas literárias com o envio de cartas ao jornal.
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VALENTE, José Armando. Pesquisa, comunicação e aprendizagem com o computador. O papel do computador no processo ensino-aprendizagem. In: ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini; MORAN, José Manuel. (Orgs.). Integração das Tecnologias na Educação. Salto para o Futuro. TV E Brasil, Secretaria de Educação a Distância. Brasília, 2005. Disponível em: http://www.tvebrasil.com.br/salto/livro.htm
MAGDALENA,Beatriz Corso. Ciência da Natureza, Matemática e Tecnologia. A integração como padrão comum entre as ciências da natureza e a tecnologia. In: ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini; MORAN, José Manuel. (Orgs.). Integração das Tecnologias na Educação. Salto para o Futuro. TV E Brasil, Secretaria de Educação a Distância. Brasília, 2005. Disponível em: http://www.tvebrasil.com.br/salto/livro.htm
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