10. Currículo e convergência das mídias na prática
Durante as etapas estudadas, você está se vendo diante de terminologias e significados, que ora fazem sentido em sua prática pedagógica, ora se desprendem, como se não pertencessem ao seu contexto, à sua realidade, não é mesmo?
As tecnologias talvez ainda não estejam integradas em seu cenário de educador, ou talvez ainda estejam restritas a pequenos laboratórios ou ao uso eventual de alguns poucos computadores. E, talvez, você se encante com os professores que já experimentam e constróem currículos bem ao encontro do que estamos aqui desenvolvendo como estudo.
Entendemos que essa relação entre currículo e convergência tecnológica é bem compreendida quando a experimentamos.
Currículo, estratégias pedagógicas, espaços e cenários de práticas de convergência das mídias na educação |
“Preste atenção a crianças brincando em uma pré-escola ou em um jardim de infância se você quiser ver alguns exemplos de aprendizagem sob demanda. Veja como cada objeto ou brinquedo é escolhido, provado, puxado, rebocado, torcido, até que seu segredo tenha sido desvendado” (HARTLEY, 2000).
O currículo da educação na sociedade digital considera a ação educativa na convergência digital e a adoção de estratégias pedagógicas sob a leitura dessa sociedade que comunica e informa por meio das tecnologias que lhe dão suporte.
Vimos, ao longo deste estudo, que o currículo é expressão dos contextos sociais próprios ao tempo histórico no qual emergem mudanças e releituras políticas, econômicas, culturais, educacionais. Sabemos, então, que a resignificação da sociedade também resignifica o currículo e os referenciais da educação.
Se falamos de resignificações do currículo no contexto da sociedade digital, o que estamos querendo, de fato, dizer? Que devemos sobrepor um currículo a outro ou abandonar as referências consolidadas e as substituir por outras? Absolutamente não.
As implicacões do currículo da sociedade digital não são da ordem da substituição daquilo que, historicamente, vem sendo a educação e a escola. Vão em outra direção, no sentido de agregar e de qualificar novos referentes, de assimilá-los, experimentá-los e torná-los cotidianos. Trata-se de dar um pertencimento às práticas que emergem dos novos referentes, situando-as e legitimando-as como inovadoras, sem que isso represente uma ruptura, e sim uma atualização acompanhada de contínuas ressignificações.
Essa atualização consiste em dar um lugar ao novo. E o novo que aqui nos referimos emerge do que neste estudo denominamos convergência das mídias, tecnologias móveis e mobilidade, potencialidades comunicativas, redes sociais, ferramentas colaborativas e interativas, espaços tecnológicos convergentes, só para resumir.
O que fazer e como fazer a partir desse novo é o centro de nossa problematização neste estudo. A gestão da educação, nessa incluída a prática escolar, necessita atualizar-se nesse contexto dos dispositivos móveis, da informação que chega a partir de diferentes espaços (o celular, os portais web, as ferramentas web, etc...) e no contexto de uma geração digital emergente (embora ainda em processo de inserção e de inclusão).
Nosso exercício é desafiante nesse sentido. Fácil seria se à nossa volta já estivesse consolidado o mundo digital. Estaríamos aqui já contando nossas antigas experiências a respeito, mas não é ainda nossa realidade plena. Há os que têm e usam as tecnologias em seu dia-a-dia, há escolas equipadas e profissionais formados, há alunos digitais e seus aparatos tecnológicos inseparáveis. Há, também, o contrário de tudo isso, sabemos.
No entanto, precisamos exercitar os cenários. Estamos em formação nesse sentido. Não é uma simulação da realidade, mas uma aproximação, o mais verdadeira possível, do que ao nosso redor já é real.
E é real a dificuldade que hoje temos em impor espaços confinados e tempos determinados de aprendizagem, bem como caminhos únicos para que os alunos aprendam (por exemplo, seguir somente por um livro, um texto, etc...). Os portais da aprendizagem foram abertos à múltiplos caminhos e precisam de nós, professores. E nós, professores, necessitamos de premissas e de referências, tanto para não rejeitar o novo quanto para não o transformar em apenas um recurso novo.