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Etapa 1
Etapa 4 - Currículo e convergência
 

8. Dialogando sobre convergência e currículo

A partir das leituras e discussões sobre convergência das mídias e das experiências em desenvolvimento acerca do uso das tecnologias convergentes (e móveis), indague-se:

 

 

O currículo deve ser mudado para incorporar a convergência tecnológica ou essa convergência está no contexto do currículo, porém ainda a tratamos como mero recurso didático-midiático?

 

 

Ajudando-o a explorar essa questão, analisemos uma entrevista com Seymour Papert, concedida à Revista Superinteressante, na edição Especial Educação Digital, de Abril de 2001, da qual destacamos um pequeno trecho:

“Devemos dar a chance de as crianças apontarem suas necessidades de aprendizado. Mas elas já estão fazendo isso. As crianças das novas gerações cada vez aprendem mais fora da escola. Nos Estados Unidos, 60% das crianças em idade escolar têm computador em casa. É verdade que nem todas usam o computador como uma ferramenta eficaz, mas algumas o fazem e têm ricas experiências de aprendizado. São elas que estão chegando à escola e questionando “por que não estamos fazendo aqui o que sabemos como fazer em casa”? Elas estão pressionando as escolas e os professores a mudar as coisas. Caso contrário, elas mesmas o farão”. (grifo nosso)


 

 

Com base nisso, quais reflexões podem auxiliá-lo a pensar sobre a questão colocada anteriormente?
 


Nessa entrevista, Papert nos diz que as crianças farão a mudança. Então, nessa crença, ele aponta que o currículo é o contexto e o que as crianças já consideram poder fazer por meio dos computadores. Não há mudança do currículo; há, por parte das crianças, a natural absorção de um currículo gerado na relação com a máquina que agora faz outras coisas, com as coisas que agora são do mundo digital. Esse é o currículo da criança, o contexto digital.

Vale acrescentar que Seymour Papert é uma das referências importantes ao pensamento educacional sob a ótica das tecnologias na educação. Ainda não eram a Internet, as tecnologias móveis e as capacidades de comunicação e informação móveis o cenário que o levaram a refletir, inicialmente, sobre o uso dos computadores na educação. O que esse pensador defende é o pertencimento da educação ao mundo digital.

“O currículo, no sentido de separar o que deve ser aprendido e em que idade deve ser aprendido, pertence a uma época pré-digital. Ele será substituído por um sistema no qual o conhecimento pode ser obtido quando necessário. Qualificações serão baseadas no que as pessoas tiverem feito, produzido. Muito do conteúdo do atual currículo é conhecimento de que ninguém precisa ou é necessário apenas para especialistas. “

Na mesma entrevista, Papert reforça o currículo como algo para além de rol de conteúdos, ou seja, não se trata de excluir essa forma de “organizar o conhecimento”, mas de expandir o conhecimento na abertura propiciada pelas janelas digitais.

Foi possível, por esse breve diálogo, compreender que pensamos o currículo nos múltiplos contextos que vão configurando na sociedade digital mudanças no pensamento curricular que nos “prende” ao contexto da vida “analógica”?

 

 

Um diálogo convergente: Paulo Freire x Seymour Papert
Duração: 5m33s
http://www.youtube.com/watch?v=6J0so-4d2dA
 


 

   
   

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Ministério da Educação