15. Síntese
Sobre o percurso do estudo
Nesta etapa do módulo, estabelecemos uma aproximação conceitual com as potencialidades da convergência das mídias, visando refletir sobre os usos, impactos, cenários e possibilidades de inserção no contexto escolar, tendo como balizador o currículo da sociedade digital.
Propiciar uma aproximação conceitual significou ir além da aprendizagem de conceitos, para incentivá-lo a empreender iniciativas de uso integrado das mídias e tecnologias em sua prática pedagógica, possibilitando a inserção de seus alunos na sociedade digital como autores e interlocutores.
Assim, na abordagem sobre os principais conceitos emergentes da convergência tecnológica, tais como mídias convergentes, ferramentas da Web 2.0, mobilidade e ubiquidade, buscamos problematizar a realidade e as implicações envolvidas nos processos de ensino e aprendizagem.
Do percurso desse estudo, algo mais ainda pode ser refletido, indagado e aprofundado: como o professor, ao compreender e reconhecer o currículo da sociedade digital, desenvolve sua prática em sala de aula? Para brevemente desenvolver este tema, vamos revisar e traçar algumas reflexões a seguir.
Sobre ser professor na inovação do contexto escolar sob o uso das mídias convergentees
Vimos, durante o estudo, que a sociedade digital se caracteriza no contexto da informação e da comunicação e que o instrumento técnico que a estrutura e lhe dá viabilidade são as tecnologias (TIC). A pluralidade dessas tecnologias, seus diferentes dispositivos, linguagens e respectivas capacidades e funcionalidades abrem um leque de possibilidades de uso, muitas das quais tivemos oportunidade de estudar. Não foi difícil compreender que, diante de tantas formas e alternativas de uso, acabamos por agregar uma funcionalidade à outra. De fato, já estamos no tempo dos dispositivos que permitem um jeito integrado de utilizar as mídias a partir de um único dispositivo ou ambiente informacional. A essa integração, denominamos convergência tecnológica.
O que lhe pareceu mais complexo no estudo desse tema em relação ao cenário de sua prática educativa?
Se, por um lado, já não encontramos com tanta frequência a barreira da ausência de tecnologias em nosso trabalho, por outro, ainda temos a barreira frente a um uso que não expressa o currículo da educação integrada ao mundo digital. Podemos, então, inferir que a mudança da infraestrutura necessária para inserir a escola no mundo digital, isto é, a aquisição de equipamentos, laboratórios, etc. é mais real do que a mudança que lhe é consequente.
Em outras palavras, a inovação dos dispositivos não inova a educação por si só. Porém, quando identificamos que por meio desses dispositivos a sociedade aprende e produz conhecimento de outra forma, e que novas possibilidades são vislumbradas, vivenciadas e consolidadas, então sim, passamos a falar de inovação na pedagogia, nos processos educacionais, em nossa prática pedagógica. Mas como utilizar a inovação em direção à renovação do currículo?
Essas indagações e argumentações foram levantadas no estudo sobre o currículo, procurando apresentar reflexões sobre como dar lugar ao novo. O novo que representa a tecnologia nem sempre traz o novo à educação - já afirmamos isso. Então, se o que é novo ainda não tem lugar e espaço consolidado na reconstrução da prática pedagógica, pode-se dizer que não chegamos ao patamar da inovação.
Se a novidade de que aqui tratamos – as tecnologias convergentes - quem sabe nem tão novas assim, for discutida, refletida no cenário de nosso dia-a-dia pedagógico e, ainda encontrarmos resistência, nos leva a outra reflexão. Embora seja fato que muitos de nós utiliza a tecnologia no dia-a-dia para preparar materiais, trocar e-mail, navegar pela web, dentre outras tarefas inclusas ao mundo digital, não se destaca, ainda, o uso pedagógico da mesma. Há um uso mais difundido e de fácil adoção: preparação de textos para impressão, de apresentações multimídia, de pesquisas na Internet ou de acesso à endereços específicos, e nos parece esse o possível inicial.
No entanto, ao longo do módulo, tivemos a oportunidade de conhecer outras potencialidades inerentes à convergência das mídias e, nesse sentido, já não podemos fixar o olhar somente no limite das tarefas que as tecnologias digitais possibilitam, e sim olhar para o aspecto interativo e colaborativo da autoria, da aprendizagem por meio de ambientes digitais, das ferramentas e recursos da rede; enfim, para as potencialidades criativas e produtivas da convergência, da Web 2.0, das redes sociais e da mobilidade em educação, e colocá-las a serviço das atividades realizadas com os alunos em sala de aula.
Há uma nítida exclusão da sala de aula ao mundo digital. E quem pode incluí-la e torná-la um lugar para produzir a partir do novo (novo dispositivo, nova geração de alunos, a geração digital, outras práticas pedagógicas), desde que esse novo esteja ao alcance para o uso, é o professor.
Ser professor na inovação do contexto escolar, sob a convergência das mídias e tecnologias, implica, pois:
- dispor da tecnologia como recurso e como aspecto da inclusão digital da “sala de aula”;
- considerar que as potencialidades do currículo da educação digital são o referente, sem se limitar ao mero uso das potencialidades da tecnologia;
- planejar o uso da tecnologia numa perspectiva teórico-metodológica, visando a integração aos objetivos da ação educativa.
E, para finalizarmos, uma última reflexão:
Se as tecnologias estruturam e são suporte à comunicação e à informação, e se reconhecemos suas funcionalidades para tal, nossos olhares irão, pouco a pouco, esvaziando a visibilidade dos dispositivos para tornar visível a experiência de educação integrada com as tecnologias. A convergência tecnológica é viabilizadora de vivências ricas nesse sentido, e o currículo é o referente desse contexto, que ao inovar, pode renovar-se.